Entre os anos 813 e 833 durante o reinado de al-Mamun em Bagdá
- Consultor Espiritual Arabe

- 6 de ago. de 2022
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Entre os anos 813 e 833 durante o reinado de al-Mamun em Bagdá, a cidade viu seu maior pico de patrocinio intelectual. Milhares de manuscritos eram traduzidos, comentados e produzidos diariamente em um dos maiores esforços de preservação intelectual que o mundo já viu. Encabeçando tudo isto estava o califa abássida, que até mesmo presava mais livros de que ouro como espólios de guerra.
Ao chegar a um impasse com o imperador bizantino Teófilo, o Armoriano, o califa exigiu como parte do tratado de paz que lhe fossem enviados não ouro ou pedras preciosas, mas uma suntuosa remessa de manuscritos e tomos gregos antigos para serem traduzidos para o árabe, incluindo a famosa ''Magna Syntaxis''do polímita Cláudio Ptolemeu. Em Constantinopla, a obra era conhecida pelo título grego Ἡ Μεγάλη Σύνταξις (Hē Megálē Sýntaxis) , "A Grande Coleção". Os árabes após traduzi-la em Bagdá passaram a designá-la pelo superlativo daquele adjetivo: μεγίστη (megístē), "máxima", donde veio a corruptela al-majisṭī (المجسطي), que gerou mais tarde em sua tradução do árabe para o latim o título "Almagestum', e em seguida o nosso ''Almagesto'' mantendo o artigo "al'' do idioma árabe bem como a forma com a qual foi escrita pelos muçulmanos. Até hoje, em todas as línguas do Ocidente, o livro de Ptolomeu não é conhecido por seu título grego, e sim como o "Almagesto'' do idioma árabe. Esse movimento de tradução em massa financiado pelos califas tanto em Bagdá como em Córdoba foi fundamental para transmitir o conhecimento grego antigo para o Ocidente cristão, e dar origem ao Renascimento europeu nos séculos vindouros.
Bibliografia: -Angelo, Joseph (2009). Encyclopedia of Space and Astronomy. p. 78. -Al-Khalili, Jim (2011), The House of Wisdom: How Arabic Science Saved Ancient Knowledge and Gave Us the Renaissance, New York: Penguin Press.


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